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Epicuro de Samos, Sêneca e Henry Thoreau

Se o Movimento Slow é hoje uma nova tendência, as idéias que formam sua base já eram conhecidas há muito tempo por importantes filósofos e pensadores. Vamos conhecer quem são eles e o quê eles pregavam.

Epicuro de Samos, era um filósofo grego à frente de seu tempo (viveu de 341 a.C. até -270 a.C.) propondo uma vida de prazer como a chave da felicidade. Não o prazer imediato que era ligado ao materialismo e ao consumismo e que deveria ser evitado. Esses prazeres eram chamados por ele de frívolos. Os desejos frívolos não são naturais e nem necessários, como a ambição, a riqueza e a glória. Os desejos naturais e necessários, esses sim, deveriam ser continuamente satisfeitos. Esses desejos eram comparados ao prazer da alma e se preservariam durante toda a vida.    

Epicuro de Samos. Foto: Wikipedia

Movimento Slow - artes

Definitivamente o movimento slow se espalhou por todas as áreas que você possa imaginar. Até mesmo nas artes, seja no design, seja na música, a desaceleração é a bola da vez.

"'Eu sempre achei que o design deve ter sua própria filosofia e código ético e não adotar o ponto de vista do cliente. O design devagar leva as pessoas a entenderem que há outros metabolismos, ritmos, experiências e significados, privilegiando a importância das culturas, materiais e pessoas', é o que diz Alastair Fuad-Luke criador do conceito Slow Lab (laboratório lento)". O que os integrantes desse laboratório fazem é resgatar idéias e projetos de vanguarda que respeitem a sustentabilidade e a filosofia do devagar.

Fonte: blog Epodic

Movimento Slow - trabalho

Como viemos mostrando nos últimos posts o movimento slow tem se espalhado para outras atividades do nosso dia-dia, e uma delas, surpreenda-se, é o trabalho. Todos nós sabemos que o trabalho tem se tornado uma parte predominantemente importante de nossas vidas, consumindo horas e mais horas de nossos dias e talvez mais do que deveria. Férias cada vez menos comuns, cargas horárias cada vez maiores, horas extras e em alguns casos sobra trabalho até pra fazer em casa.

"O excesso de trabalho é um fenômeno global. O mercado global e a tecnologia de comunicação instântanea fizeram do trabalhador um escravo do relógio. E nós nos tornamos escravos dessa tecnologia. Somos HDs com cabelo. É importante colocar limites, caso contrário, o trabalho dominará nossas vidas." Essas são palavras do livro "Work to Live" escrito por Joe Robinson. E não podemos descordar das suas informações, pra muitas pessoas é a mais pura verdade.

Uma crítica ao excesso de trabalho no filme "Tempos Modernos"

Simplifique a vida

Continuaremos o post da semana passada, afinal, viver com simplicidade e sem pressa tornou-se um estilo de vida pra muita gente. Às vezes para a população de uma cidade inteira.

Em 2002, Kakegawa, no Japão, se tornou a primeira cidade "slow" do mundo. A prefeitura lançou um manifesto com ideais para uma vida mais saudável em decorrência da diminuição do ritmo. A cidade tem 118 mil habitantes e todos eles foram incentivados a andar a pé, construir casas com bambu e papel e cultivar o hábito japonês de tomar chá verde. A prefeitura também foi responsável por negociar uma redução na carga horária de trabalho da sua população. Quer mudar pra lá, né?

Kakegawa, Japão, a primeira cidade "slow" do mundo

A crise americana e um novo modelo

A edição 555 da Revista Época trouxe como reportagem de capa um assunto muito comentado aqui no blog: a simplicidade de consumo, ou seja, um consumo sustentável baseado nas reais necessidades de cada um. Como dissemos no post sobre o movimento slow da semana passada, existe agora um movimento que preza por uma vida menos rápida e consumista. Vamos aprofundar um pouco mais neste assunto.


A reportagem começa argumentando que com a crise que se instalou nos EUA e se espalhou pelo mundo, as pessoas foram obrigadas a se desfazer de algumas coisas não essenciais para suas vidas. Uma pesquisa da Booz & Company feita com mil consumidores dos EUA mostrou que a crise econômica obrigou muitas pessoas a reverem seus conceitos de consumo. Várias pessoas deixaram de ir a bares, concertos e exposições, por exemplo, ou seja, os gastos com lazer foram sensivelmente reduzidos. Outros consumidores disseram estar dispostos a trocar seus carros luxuosos e beberrões por carros que gastem menos combustível e sejam menos poluentes, se possível híbridos.

Outro levantamento feito pelo Boston Consulting Group (BCG) que ouviu 21 mil pessoas em 14 países diferentes, incluíndo o Brasil, afirmou que os consumidores tendem, nos próximos anos, a procurar produtos com um custo-benefício mais equilibrado. Um bom exemplo é a popularização das "small houses" em detrimento das inúmeras casas vendidas anos antes e que acabou dando origem à crise econômica. A reportagem cita apartamentos como os do exclusivíssimo 15 Central Park West, em Nova York, que custam cerca de US$ 150 milhões por serem inspirados nas luxuosas construções da década de 1920 e que ficaram no imaginário do americano comum.

Apartamento da 15 Central Park West, preço: US$ 150 milhões
"Com longos prazos de financiamento e juros baratos, os americanos povoavam os subúrbios com casarões cada vez maiores. A casa média americana cresceu 40% de tamanho entre 1982 e 2004, segundo o U.S. Census Bureau. O tamanho da moradia para uma família passou de 160 metros quadrados para 220 metros quadrados."

Foi a partir da crise que um grupo de ativistas lançou essas "small houses" e fundou a Small House Society (Sociedade da Casa Pequena) para promover os benefícios econômicos e ecológicos das minimoradias. O movimento prega a redução dos espaços para viver como forma de preservar a natureza. Essas casas não consomem energia elétrica, todos os aparelhos eletrônicos funcionam a partir de baterias que são recarregadas com energia solar. Além disso, por serem muito pequenas não exigem grandes quantidades de materiais para conservação, como tintas, vernizes e solventes.

Com dimensões de 6 a 15m as "small houses" custam cerca de UR$ 40 mil
O tamanho da casa influencia também na forma de consumir das pessoas. Como comprar muitas bugigangas se não há onde guardar em casa? As pessoas, dessa forma, são obrigadas a consumir de forma mais consciente e sustentável. Viu como o conceito de sustentabilidade se aplica a qualquer momento da sua vida? Outro ponto positivo dessas pequenas casas é que elas conseguem se manter em locais extremamente verdes proporcionando aos moradores uma qualidade de vida superior.

Com informações da edição nº 555 da Revista Época.

Movimento Slow - estilo de vida

Hoje começaremos a falar do movimento Slow que o Slow Food ajudou a criar por aí. Começaremos com o estilo de vida adotado por alguns e que preconiza a simplicidade para garantir, segundo eles, a felicidade.

A revista Galileu nº 171 traz o exemplo da Austrália que nos últimos doze anos ganhou muitos adeptos (mais de 2 milhões de pessoas) a esses ideais, todos eles decidiram ganhar menos e consumir menos optando por um estilo de vida mais simples e com mais qualidade. Esse movimento ganhou o nome de downshifting - simplicidade voluntária, em português - e se espalha rapidamente por outras culturas como a americana e a inglesa.

Tracey Smith diz que, "no Reino Unido as pessoas são cada vez mais pressionadas a fazer parte de uma sociedade materialista e superconsumista. Antes que percebam, já estão gastando o que têm e o que não têm". Tracey é fundadora da Semana Australiana do Downshifting. Para alguns adeptos do movimento a principal mudança deve vir da relação que as pessoas têm com o dinheiro. Olhando por esse ponto de vista parece certo que a recente crise econômica tenha aumentado o número de adeptos a esse modelo de vida simples. Segundo Mitra Ardon uma ativista da Organização Downshifting, "o objetivo é deixar de ser dominado pelo dinheiro e buscar qualidade de vida."

Mudar a relação com o dinheiro é o primeiro passo para simplificar a vida
Os ativistas afirmam que não é difícil fazer isso e que é possível ter uma vida simples mesmo dentro de casa. Eles convidam as pessoas a fazer uma análise profunda de suas vidas e verificar se não há excesso de gastos, quando as pessoas conseguem verificar que consomem muita coisa apenas por consumir elas podem se tornar mais conscientes e pensar duas vezes no que realmente precisam pra sua vida. Algumas pessoas, no entanto, precisam de ajuda pra encontrar a verdade. Nos EUA existem grupos que se reúnem com pessoas "consumistas" e juntas, numa espécie de terapia, tentam encontrar o equilíbrio.

E você, é adépto da simplicidade ou não consegue se segurar diante do consumismo?